Como a mídia independente no futebol cresceu dentro do Brasil

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Produção de conteúdo independente sobre futebol na internet cresce, e jornalistas esportivos e veículos de comunicação precisam se adaptar a nova era da comunicação

Os veículos de comunicação tradicionais historicamente tiveram o monopólio da notícia e da opinião, mas nas últimas décadas ocorreu uma mudança de paradigma com o crescimento da internet e mais recentemente com o surgimento das redes sociais. As TVs, Rádios e Jornais ganharam a concorrência das mídias independentes que produzem conteúdo na web. E não foi diferente no mundo esportivo, onde os meios de comunicação tiveram que se adaptar a esta nova era e possibilitou poder de fala para torcedores através da tecnologia.

Muitos produtores de conteúdo independente, sendo jornalistas ou torcedores, conquistaram seu público e relevância na internet. Com isso, eles conseguem entrada com jogadores e dirigentes, por exemplo. Em entrevista ao “Cara a Tapa”, canal no Youtube de Rica Perrone, o treinador Eduardo Barroca revelou que teve no início deste ano uma reunião com influenciadores digitais do clube.

Em 2021, uma iniciativa do Globoesporte.com foi contratar influenciadores de 12 times grandes do Brasileirão para produzir conteúdo digital para as plataformas do Grupo Globo. Apesar de produtores de conteúdo muitas vezes competirem com os veículos tradicionais, é possível um somar com o outro nessa nova era da comunicação.

Um dos primeiros influencers no futebol na era digital foi o DoentesPFutebol, que tem mais de 569 mil seguidores no Twitter e 1,3 milhão de seguidores do Instagram. A página tem postagens diárias sobre futebol e comentários em tempo real dos jogos de times brasileiros e, especialmente, dos grandes times da Europa.

Felippe Garcia, de 37 anos, explica como surgiu a ideia de produzir conteúdo na internet e acredita ser pioneiro nessa forma de trabalho ao lado de Victor Quintas, outro administrador da página.

 “O DPF era uma comunidade no Orkut. Um local onde a gente vivia falando de futebol entre amigos ali no fórum. A comunidade teve início em 2004. Em 2012, vendo que o Orkut tinha data para seu fim próximo, resolvi (Felippe) então montar um projeto para falar de futebol ‘aqui fora’… de forma profissional. Montei então a marca, e iniciamos pelo Facebook. Com uma equipe de membros do Orkut, que quiseram participar do projeto”, disse Felippe.

 “Somos os primeiros influenciadores do futebol, sem dúvidas. Na época que nem chamavam de influenciadores, na real. Minha primeira visão, era de que as TVs não trabalhavam bem suas redes sociais. Então entramos ‘para ensinar’. E percebemos que muitos passaram a trabalhar de uma forma parecida”, concluiu.

Além do trabalho nas redes sociais, o DoentesPfutebol tem um site próprio sobre futebol e um guia de TV, que mostra onde assistir aos jogos do dia. A página comandada por Felippe Garcia e Victor Quintas é um case de sucesso em termos de produção de conteúdo na internet no meio esportivo e conquistou o respeito de jornalistas e até de jogadores.

Foto: Matheus Henrique Vieira Ramos – um dos primeiros influenciadores na era digital do futebol, Felippe Garcia e Victor Quintas, administradores da página DoentesPFutebol, têm relação complicada com os torcedores brasileiros e priorizam falar do futebol europeu.

“Imaginávamos conversar com jornalistas famosos. Além de jogadores. E é algo que nos surpreende até hoje. É nosso prazer ter ídolos interagindo conosco. Um dos nossos combustíveis. Temos o Ronaldo fenômeno nos seguindo no Instagram, por exemplo. É um prêmio. Além de ver jornalistas felizes quando nós passamos a seguir”.

PRODUÇÃO DE CONTEÚDO EM FORMA DE HUMOR

O DoentesPFutebol adota uma maneira mais séria para falar de futebol na internet, mas nem todas as páginas são assim. Muitos produtores de conteúdo optam por ter um perfil de mais humor e brincadeira para retratar o esporte mais conhecido do planeta bola. É uma forma de falar de futebol de forma descontraída para engajar e informar os torcedores.

A página Londrina Mil Grau, muito conhecida pelo torcedor londrinense, atualmente tem mais de 15 mil seguidores no Facebook e posta notícias do Londrina Esporte Clube em forma de humor, com uma pegada descontraída. Pedro Felipe, que criou a página com menos de 13 anos, tinha como inspirações outras páginas como Desimpedidos e Mil Graus de outros times.

"Eu criei a página em 2014, foi ideia minha inspirada em outras páginas que já existiam. O intuito era sempre ajudar o Londrina a crescer, e eu também via como hobby para mim.  Eu sempre gostei, fiz sempre de coração, já teve vários adms para ajudar e hoje tem o Marcos. Eu sempre gostei de fazer graça e tinha inspirações na época, como Desimpedidos e Mil Grau de outros times. Eu vi uma coisa que eu me identificava e comecei a fazer", disse Pedro.

Marcos Costa, que administra a página ao lado de Pedro desde 2018, destacou que o público mais velho às vezes se incomoda com o conteúdo postado pelo Londrina Mil Grau, mas ele leva isso com naturalidade. Além disso, o jovem de 20 anos vê a interação com o público como um combustível para seguir com a página.

“O público mais velho acaba levando muito a sério os posts, estão no direito deles, a gente já publicou coisa que a galera ficou de ‘mimimi’ nos comentários, mas o nosso público é um público mais jovem que vem agregando bastante e ajudando a página compartilhando, comentando, curtindo. E essa interação é bacana, tem alguns que eu respondo e dão algumas ideias legais. Isso é fundamental, acaba nos engajando para continuar com a página. É massa essa interação, você ver o público reagindo ao seu meme é fantástico”, destacou o jovem de 20 anos.

Foto: Matheus Henrique Vieira Ramos – Marcos Costa e Pedro Felipe foram entrevistados por Matheus Henrique na Unopar Catuai, onde os dois falaram do projeto desenvolvido por eles na página Londrina Mil Grau, que usa do humor para falar do Londrina Esporte Clube.

IMPORTÂNCIA DAS REDES SOCIAIS PARA O JORNALISTA ESPORTIVO

Atualmente, muitos jornalistas esportivos produzem conteúdo independente em suas redes sociais e conquistam um público grande que os acompanha. Alguns conseguem se manter financeiramente com seus canais no Youtube, outros usam essa ferramenta como hobby. É o caso do comentarista da TNT, Bruno Formiga.

Foto: Matheus Henrique Vieira Ramos – Comentarista do canal TNT, Bruno Formiga é um sucesso nas redes sociais e tem um público fiel, que o acompanha em seu canal no Youtube e em suas contas pessoais, como Twitter e Instagram.

Muito atuante em redes sociais como Instagram e Twitter, Bruno Formiga também tem um canal no Youtube com mais de 240 mil inscritos. O canal já soma mais de 16 milhões de visualizações. Apesar do grande sucesso, ele vê a ferramenta apenas como um segundo emprego.

“No meu caso é um hobby, tem assuntos que a TNT não consome e eu gosto de falar, ali é mais um lugar que eu posso produzir e falar, além de monetizar. Mas eu não preciso do Youtube hoje para viver, é completamente um extra, me monetiza legal, mas não é meu ganha-pão. Da galera que eu conheço dos que trabalham em veículos de comunicação, eu não vi nenhum entrando por necessidade. A produção nas redes sociais é completamente extra, um segundo emprego, que eu não preciso dele. É um extra total”, declarou o comentarista.

Fernando Campos, comentarista do canal TNT em jogos da Champions League, vê as redes sociais como ferramentas fundamentais para o seu trabalho de jornalista esportivo. Muito atuante nas redes sociais, especialmente no Twitter, ele tem um canal no Youtube e um Podcast chamado “Tempo de Bola”.

“É fundamental para mim, quem não é visto não é notado. Eu sou bastante ativo nas redes sociais, especialmente no Twitter. Eu sou bastante ativo lá, tenho um público bem grande que curte meu trabalho e ali vou dando minhas opiniões, fazendo minhas análises. Eu fiz um canal no Youtube, que até está um pouco parado por problemas técnicos de computador, mas foi muito importante para dialogar com o público que gosta do meu trabalho e fazer com que outras pessoas fossem impactadas com o meu trabalho”, declarou o comentarista de 31 anos.

Foto: Matheus Henrique – Fernando Campos é um jornalista multiplataforma e muito engajado no Twitter, onde tem mais de 100 mil seguidores e faz análises e comentários sobre o futebol em geral, mas em especial dos times brasileiros e europeus.

“Eu acho que o jornalista esportivo não deve ser soberbo ao ponto de achar que não deve estar presente nas redes sociais, tem que analisar a realidade – é um universo digital que já está estabelecido que deve ser explorado e só vai crescer, então isso não se resume somente a um youtuber. Hoje, temos diversos jornalistas de sucesso que estão presentes nesse universo: Mauro Cezar, Bruno Formiga, Vitor Sergio Rodrigues, diversos amigos dos canais Disney, que também tinham canais relevantes fortíssimos, mas tiveram que parar um outro por conta de questões contratuais com a empresa”, disse Fernando Campos.

Produção de conteúdo independente não serve apenas para torcedores e jornalistas renomados, mas é uma ótima alternativa para quem está iniciando no jornalismo esportivo. A jovem Lara Pinheiro, de 19 anos, que mora em Recife e está no 4º período de jornalismo, é muito atuante nas redes sociais e tem mais de 6 mil seguidores no Instagram, onde fala de futebol, sobretudo do PSG.

Com bom engajamento nas redes sociais, a jovem estudante de jornalismo já teve algumas conquistas profissionais pela produção de conteúdo que realiza em suas redes sociais, como por exemplo cobrir uma partida do Sport a convite da própria organização do Campeonato Brasileiro.

Em seu Instagram, Lara Pinheiro criou o quadro “Além dos Refletores”, onde entrevistou jogadores de divisões menores e mostrou a dura realidade dos atletas que estão longe do glamour dos principais campeonatos do Brasil.

“Não é algo que você vai conseguir muito rápido e se for rápido está sendo estranho. Mas eu já consegui entrevistar o Ricardo Rocha, ex-zagueiro da seleção brasileira, e agora recentemente eu tive uma conquista incrível. Ano passado eu criei um quadro no meu Instagram que se chamava “Brasileirão em um minuto”, onde eu resumia toda a rodada do Campeonato Brasileiro. Acabou que o Instagram gostou muito, que é o Choro Futebolístico, aí eles me contrataram para fazer esse quadro no Instagram deles. Então eu não faço mais para o meu, eu faço para o deles, assim como outros vídeos que eu também faço”, disse a jovem estudante de jornalismo.

Foto: Matheus Henrique – Estudante de jornalismo, Lara Pinheiro atualmente faz estágio na Federação Pernambucana de Futebol e tem como referência no jornalismo esportivo profissionais da TNT Sports, especialmente a correspondente Isabela Pagliari, que acompanha o dia a dia do PSG na França.

“E uma outra conquista foi que eu fui convidada pelo próprio Brasileirão para cobrir um jogo, fazer bastidores do jogo do Sport aqui em Recife. Então todo esforço tem resultado, independente do que você esteja fazendo, principalmente conteúdo na internet porque tem uma visibilidade muito boa, muito boa mesmo”, completou.

A produção de conteúdo independente sobre futebol já é realidade no Brasil e no mundo, seja para jornalistas consagrados, influenciadores digitais ou até mesmo para quem está iniciando no jornalismo. Não quer dizer que os veículos de comunicação tradicionais e programas esportivos vão acabar, mas é um novo momento da comunicação no esporte em que todos precisam se adaptar.

O poder da atividade física na luta contra a Covid-19

A atividade física pode ser um elemento importante para as pessoas correrem menos risco de casos graves e mortes por causa da Covid-19. Um estudo feito por Kaiser Permanente, publicado no British Journal of Sports Medicine, analisou quase 50 mil indivíduos que foram infectados pelo vírus.

Segundo o estudo, as pessoas que realizam pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, seja de forma moderada ou vigorosa, sofrem incidências menores devido à Covid-19.

As diretrizes de atividade física do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos afirmam que a atividade física é capaz de aumentar a função imunológica, além de reduzir a inflamação sistêmica, aumentar a saúde pulmonar e cardiovascular.

Ester Nigro, de 21 anos, realiza atividade regularmente. Além de musculação, ela faz corrida com acompanhamento quatro vezes por semana. No mês de maio, a estudante correu na prova A Unimed Londrina de 10 km.

Para poder fazer as atividades físicas, Ester explica que usa muito álcool gel e utilização da máscara. Porém, ela pontuou que o uso da máscara dificulta a respiração para correr, por isso o usa a proteção facial na rua dependendo das circunstâncias.

“Na academia uso o tempo todo a máscara. Na corrida depende. Como corro às 6h e o parque/rua está vazio, optei por correr sem (o uso de máscara dificulta muito a respiração). Se vou correr em horário diferente ou com outras pessoas, uso máscara. Utilizo a PFF2”, declarou a jovem de 21 anos.

Ester Nigro salientou que a doença da Covid-19 é perigosa e que os cuidados são necessários. Mas deu algumas dicas para quem tem medo de fazer exercícios físicos na rua ou na academia.

“O medo é necessário para que não caiamos na banalização da doença. Ela é séria, é perigosa e desconhecida. Se você tem muito medo de fazer atividades ao ar livre ou em lugares fechados, mesmo seguindo as normas de proteção, o interessante é manter em casa mesmo. Uso de YouTube, internet, acompanhamento online que auxiliam para manter as atividades em seu lar”, finalizou.

Foto: Reprodução/Instagram

Michel Henrique, por sua vez, realiza atividades físicas na rua, faz musculação na academia e Muay thai. Ele procura evitar contato com outras pessoas e utiliza o álcool gel para se cuidar contra o vírus. 

Na visão do jovem, o ideal é voltar a fazer atividades aos poucos e, ainda afirmou, que ele próprio parou de praticar por alguns meses. 

“Atividade física ajuda a fortalecer a imunidade do corpo, fora isso ela tem diversos outros benefícios, tais como fortalecimento do corpo, diminuição do stress e aumento da disposição. Eu mesmo parei por alguns meses, a dica é voltar a praticar aos poucos, aumentar a frequência quando você se sentir mais confortável”, explicou Michel Henrique.

Michel Augusto, formado em Educação Física, dá aula como instrutor no Estúdio de Treinamento Funcional e explicou que os cuidados são tomados contra a Covid-19 para a realização dos treinamentos:

No Estúdio, a gente adota os princípios básicos de prevenção, que é: distanciamento social, número reduzido de alunos, uso de máscara, fazer uso de álcool gel, esterilizar os aparelhos e qualquer tipo de material com álcool. Basicamente esses são os cuidados primordiais”, explicou o instrutor.

Michel Augusto explicou que atividades físicas podem ser benéficas contra o vírus, mas pontuou que exercícios físicos de longa duração não são recomendáveis. 

“A atividade física, ela ajuda a estimular os nossos anticorpos, ou seja, a gente fica com sistema imunológico mais bem preparado. Com atividade física e nosso sistema imunológico mais bem preparado, os sintomas de Covid-19 podem ser menos agravantes se a pessoa estiver contaminada. Então isso é um fator importante para se fazer atividade física, tanto em ambiente fechado como em ambiente aberto. O que a gente não indica são treinamentos de alta performance. A atividade física de longa duração faz o sistema imunológico despencar, então indicamos atividades de alta intensidade e curta duração”, explicou o educador físico. 

Como as redes sociais influenciam os clubes e o futebol

*Por Matheus Henrique Vieira Ramos

Redes sociais dos clubes são canais oficiais de informação e movimentam milhões de seguidores

Uma das maiores paixões do brasileiro é o futebol. O esporte mais democrático do mundo, que aceita o pobre, rico, branco, preto, baixo, alto, magro, gordo… E o futebol mais emocionante do planeta, que mexe tanto com a emoção do torcedor brasileiro, teve uma grande reviravolta fora dos gramados com as redes sociais.

As mídias sociais ganharam uma importância e um papel no futebol muito importante. Hoje, os perfis dos clubes nas redes são canais oficiais de comunicação com o torcedor, seja no Instagram, Youtube, Twitter, Facebook e mais recentemente no TikTok. E o poder de penetração é extremamente relevante.

Foto: Divulgação/ Ibope/Repucom – Mídias sociais dos clubes movimentam milhões de seguidores

Levando em conta todas as redes sociais, o Flamengo, clube de maior torcida no Brasil, tem mais de 36 milhões de seguidores. O Corinthians aparece em segundo lugar, com 24 milhões de inscritos. Com números também relevantes, São Paulo, Palmeiras e Santos fecham o ranking. Os dados são de novembro e foram obtidos pelo Ibope/Repucom.

E não impressiona apenas o número de seguidores dos clubes nas redes sociais, mas também o engajamento. Segundo o perfil no Twitter chamado “Deportes&Finanzas”, especialista em dados dos clubes nas mídias sociais, Flamengo, Corinthians e Santos lideraram o ranking de engajamento nas redes em outubro.

O Flamengo ficou em primeiro lugar com 95,6 milhões de interações, com Corinthians e Santos na segunda e terceira posição, respectivamente.

Esses números são assombrosos e mostram a força das redes sociais para o futebol atualmente. Através principalmente do Twitter, os clubes dão informações importantes para imprensa e torcedores, o que se torna a posição oficial das instituições.

Para anunciar uma contratação de jogador ou treinador, a maioria dos clubes usam as redes sociais para torná-las oficiais. Quando todos sabem que o clube fechou a contratação de algum jogador, imprensa e torcedores já esperam pelo anúncio oficial através das redes sociais, em especial o Twitter.

Se em uma época distante os torcedores esperavam pelo anúncio de uma contratação ou demissão pelo jornal do dia seguinte, basta ficar atento as redes sociais para ficar bem informado.

Flamengo usou suas redes sociais para anunciar a contratação de Rogério Ceni

Claro, nas redes sociais existem muitas notícias falsas, especulações, boatos, que acabam se transformando em verdade em poucos minutos. Porém, se o torcedor filtrar bem quem ele acompanha, consegue receber as notícias verídicas muito mais rapidamente do que era habitual no passado.

Outro problema das redes sociais são os “fakes” que se passam pelos perfis oficiais dos clubes, o que acaba enganando muitas vezes os torcedores e até jornalistas.

O jornalista Fábio Lázaro, setorista do Santos no Lance!, em entrevista para o Blog do Matheus Henrique Vieira Ramos falou da importância das redes sociais para imprensa, influência das mídias sociais na tomada de decisão dos clubes e muito mais.

CAMPANHA NAS REDES SOCIAIS PODE BARRAR CONTRATAÇÃO

O futebol não vive em uma bolha, onde o lado social e político não estão inclusos. Quando um clube decide fazer a contratação de algum jogador tudo precisa ser analisado e ponderado. Contratações de atletas com histórico de violência contra mulher causam revolta em torcedores de todos os times e podem fazer os clubes perderem patrocinadores e sócios.

Em 2018, por exemplo, o Corinthians acabou desistindo da contratação do atacante Juninho, que na época estava no Sport, por causa de uma repercussão bastante negativa nas redes sociais. O jogador responde processo de agressão, ameaça e injúria contra uma ex-namorada.

A notícia da possível contratação de Juninho por parte do Timão causou revolta nos torcedores corintianos nas redes sociais, que fizeram a campanha  #JuninhoNoCorinthiansNão e #RespeitaAsMina.

Corintianos fizeram campanha contra contratação de Juninho

Outro caso bastante conhecido foi do atacante Robinho, que assinou contrato com o Santos por cinco meses, mas teve seu vínculo suspenso após uma repercussão negativa na web e ameaça de patrocinadores deixarem o clube.

A revolta de torcedores aconteceu por causa que Robinho foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão na Itália por estupro coletivo contra uma jovem albanesa. O jogador, porém, recorre do processo judicial, nunca foi preso e não está impedido de entrar na Itália.

Foto: Ivan Storti/Santos FC – Robinho, de 36 anos, teve seu contrato suspenso com o Santos

Gabriela Fernandes, mais conhecida como “Santástica” nas redes sociais, é sócia e torcedora do Santos. Ela afirmou para o Blog que não ficou ofendida pela contratação de Robinho, mas mostrou chateação com o caso e vê dano irreparável para imagem do Peixe.

“Eu não diria ofendida, mas chateada com o fato de terem contratado alguém com uma condenação por estupro. Não farei o papel de juíza. O Robinho tem um novo julgamento agora em dezembro, acho que seria muito melhor para ele e para o Santos aguardar o final do julgamento. A imagem que ficou é que o clube contratou um condenado por estupro e esse dano é irreparável”, disse Gabriela.

A “Santástica” acredita que a pressão de torcedores nas redes sociais foi fundamental para o contrato ser suspenso: “A pressão das redes sociais em cima dos patrocinadores foi importante. Se estes não tivessem se manifestado, certamente a contratação estaria mantida”, finalizou a torcedora e sócia do Santos.

Foto: Reprodução/ Twitter oficial de Gabriela – A “Santástica” nos arredores da Vila Belmiro no dia da votação de impeachment de José Carlos Peres, ex-presidente do Santos.

VEJA NO VÍDEO MAIS DETALHES SOBRE O CASO ROBINHO:

Mudança de comportamento dos torcedores com redes sociais

Um elemento fundamental nas redes sociais são os torcedores, que com as mídias sociais ganham cada vez mais força. Porém, muitas vezes o imediatismo da internet faz mal tanto para os torcedores, como para os times.

Torcedor sempre foi exigente e todo mundo quer vencer jogos e campeonatos, mas as redes sociais aceleram esse processo. Quando um time perdia um jogo, os torcedores “cornetavam” entre amigos, na mesa do bar, no estádio de futebol, na aula do dia seguinte…

Já nos dias atuais, por meio da internet, o torcedor critica o time com mais ênfase, raiva, ódio e antes, durante e após os jogos. Em alguns casos, os torcedores “invadem” os perfis dos jogadores e dirigentes nas redes sociais para xingar, ameaçar e faltar com respeito com os profissionais.

E os xingamentos não ficam apenas para os jogadores, treinadores e dirigentes, familiares também são atacados nas redes sociais. Um imediatismo que está se tornando um problema para o futebol, até uma doença. Para muitas pessoas, o futebol deixou de ser entretenimento.

O santista Vinícius Cassin, com mais de 7 mil seguidores no Twitter, acredita que as críticas de torcedores nas redes sociais tomam uma proporção muito maior que deveria. Ele vê esse efeito como um grande problema para os dias atuais.

“É um negócio que tomou uma proporção muito grande. Hoje, a gente tem acesso a informação muito rápido, né. Acabamos tendo uma certa influência nas pessoas que seguem… Então qualquer opinião que emitimos, como crítica, corneta, acaba tomando uma proporção muito maior que deveria”, explicou.

“Eu vejo isso mais como um problema do que qualquer outra coisa. No começo, quando as redes sociais tiveram uma ascensão, a gente tinha uma perspectiva que seria algo positivo na questão da pessoa ter mais informação, acesso mais rápido, um debate mais de momento, mas vimos com o passar do tempo isso foi um efeito reverso porque são reflexos da nossa sociedade. O pessoal acaba utilizando as redes sociais muito por conta do sentimento aflorado do momento da partida, seja tanto positivo quanto negativo, e aquilo toma uma proporção um pouco maior do que deveria tomar”, completou Cassin, como é conhecido no Twitter.

Bastante influente na internet, Vinícius Cassin enxerga esse imediatismo das redes sociais como algo bem prejudicial para clubes e jogadores. O influencer santista também é radicalmente contra torcedor invadir redes sociais dos atletas para criticar ou xingar.

“Vivemos em uma era que os jogadores têm um contato muito mais próxima com a torcida do que antes – por meio da rede social. O que dá para notar é que enquanto o jogador, por exemplo, tem um acesso mais próxima da torcida ele também vai sofrer quando o torcedor estiver irritado. Eu entendo que o torcedor tem direito de reclamar na rede social, mas eu acredito muito que essas restrições tenham que ficar muito ali no momento de jogo, uma discussão para fora depois do jogo ou antes do jogo“, disse.

“Mas a partir do momento em que invade rede social de jogador para ficar tecendo comentários negativos eu já eu acho errado. Eu tenho uma visão muito particular quando a isso. Eu não entro em página de jogador nenhum para criticar. Eu acho isso uma atitude boba, tosca, de pessoas que não têm muito o que fazer na vida. Então eu tento sempre focar nas críticas do que acontece dentro do campo, às vezes eu acabo passando um pouco para o dia a dia do clube mesmo. Mas assim: eu tento sempre tento fazer opinião voltada para mim, sabe? Eu não fico indo em rede social de jogador, ficar marcando ele, criticando e coisa do tipo… Acho isso uma atitude desnecessária para cace**. Eu sempre gosto de usar a comparação com meu emprego: eu jamais gostaria que meu cliente na minha área que atuo viesse no meu Instagram e ficasse me marcando se eu fizesse alguma coisa errada. O pessoal pode falar que futebol é diferente, mas o sentimento do jogador é igual. Se você não tem esse senso, acaba entrando em uma via muito perigosa. São seres humanos ali do lado, ninguém gosta de ficar recebendo críticas de uma pancada de gente que você não conhece. Essa questão da rede social ela traz o jogador ter um contato mais próxima com a torcida, mas também tem esse efeito negativo: quando aparece o torcedor puto, o jogador tem que ter um preparo psicológico muito bom para aguentar”, finalizou Cassin.

Foto: Reprodução/ Twitter oficial de Vinícius Cassin – Santista de Campinas, Cassin foi entrevistado pelo Blog do Matheus Henrique Vieira Ramos

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